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Saúde Grande ABC

Grande ABC registra um caso de dengue por dia de janeiro a março

Cidades confirmam 86 ocorrências; especialistas alertam para pico previsto nos próximos meses

20/04/2022 às 16h10
Por: Redação
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No primeiro trimestre deste ano as cidades do Grande ABC registraram um caso de dengue por dia. No total foram notificadas pelas prefeituras 86 ocorrências da doença nos três primeiros meses, enquanto no mesmo período do ano passado foram identificados 108 casos – diminuição de 20.4%, segundo levantamento realizado pelo Diário com dados das administrações municipais. São Caetano, com 34, e Mauá, com 19 casos, são as cidades com os maiores números de registros em 2022. Já Rio Grande da Serra não notificou nenhuma ocorrência – veja os dados na tabela abaixo

As estatísticas da região seguem tendência estadual. De janeiro ao começo de abril foram notificados 44 mil casos de dengue em São Paulo, enquanto em 2021 o número chegou a 62,1 mil no mesmo período. De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde durante todo 2021 foram 145 mil infecções e 71 mortes. Nos dois últimos anos não foi registrado nenhum óbito nos municípios do Grande ABC em decorrência da doença. 

A diminuição no número de casos nos primeiros meses do ano já era esperado para época, conforme explica Carlos Peçanha, epidemiologista e diretor técnico da Rentokil. Ele ressalta que o pico de infecções da dengue ocorre, normalmente, entre os meses de abril e maio, logo após o período mais intenso de reprodução do Aedes Aegypti, transmissor da dengue. “Nós ainda não entramos na pior fase da transmissão dos vírus da dengue, zika vírus ou chikungunya. A proliferação dos insetos como um todo está atrelada a questão da temperatura, ou seja, eles precisam de ambientes mais quentes para ter metabolismo mais ativo e, com isso, ter otimização no ciclo de vida, que é quando o período de reprodução se intensifica. Esse processo ocorre durante o verão, quando são registradas altas temperaturas e extensos períodos de chuva”, declara o médico. 

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O vice-presidente da SBMFC (Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade), Marco Túlio Aguiar Mourão Ribeiro reforça que a população precisa manter os cuidados para evitar a proliferação do vírus, como evitar água parada em pneus, vasos de plantas e outros recipientes descobertos, além de incluir o uso de repelentes na rotina da família. “Os principais sintomas que as pessoas infectadas apresentam são dores musculares, dor de cabeça intensa, febre e dor nos olhos. Em casos mais graves a doença pode apresentar manchas no corpo, sangramento, náusea e diarréia”, esclarece o vice-presidente, que recomenda ida imediata ao hospital caso seja identificado algum desses sintomas. 

No cenário nacional, o aumento de casos já é uma realidade. Os registros de dengue cresceram 85% neste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Até a primeira quinzena de abril foram notificados 323,9 mil casos prováveis da doença, conforme apontam os dados do Ministério da Saúde. O Estado de São Paulo segue na frente com o maior número de mortes confirmadas, com 30 no total – até o momento são 85 no País. [07.INTERT_CX]

 

AÇÕES PREVENTIVAS

Para combater o vírus na região, todas as prefeituras informaram que realizam constantemente ações preventivas nos municípios. Entre as medidas adotadas estão campanhas educativas para conscientizar a população sobre o tema e fiscalizações em imóveis para prevenir a proliferação. 

Em São Caetano, por exemplo, o Paço segue as diretrizes do Plano Nacional de Controle do Mosquito Aedes Aegypti, do Ministério da Saúde. Em medida inovadora, Santo André aprovou em março deste ano a Lei 10.476, que dispõe sobre a autorização de uso de drones para ações de combate a dengue e demais doenças transmissíveis pelo mosquito. 

Vacina contra a doença está disponível na rede privada

 

A rede privada de saúde já disponibiliza, desde 2015, o imunizante contra dengue, doença infecciosa transmitida pelo Aedes Aegypti, que também pode causar outras enfermidades como zika vírus e chikungunya. 

O valor da dose ultrapassa os R$ 300 e ainda não está disponível no SUS (Sistema Único de Saúde). A recomendação é que sejam aplicadas três doses com intervalo de seis meses cada apenas em pacientes de 9 a 45 anos e que já foram infectados.

Segundo a enfermeira e gerente científica da clínica Amo Vacinas, Alessandra Vivian Dorna Portela, o imunizante é indicado para pessoas que residem em áreas endêmicas em que a incidência da doença é alta. Os pacientes que já tiveram algum dos sorogrupo da dengue 1, 2, 3 ou 4, ao receberam a vacina previnem uma reinfecção da dengue. 

Há mais de 10 anos o Instituto Butantan, em parceria com o Niaid (Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos), desenvolve a vacina contra dengue. O imunizante é feito com os quatro tipos do vírus atenuados, ou seja, enfraquecidos, que induzem a produção de anticorpos sem causar a doença e com poucas reações adversas.

Desde 2016 o estudo está na fase três, com 17 mil voluntários. Atualmente o imunizante está na etapa de acompanhamento – os voluntários serão avaliados durante cinco anos. A previsão é que a pesquisa seja concluída até 2024.


 

 
 
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